Parlendas em Roda: Brincando com as Palavras!

Desenvolvida por: Alessa… (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa – Oralidade
Temática: Parlendas tradicionais, consciência silábica e relação entre fala e escrita

Essa atividade usa parlendas tradicionais como ponto de partida para trabalhar oralidade, consciência silábica e percepção dos sons da fala com crianças do 1º ano. A ideia é simples: as crianças já conhecem ou facilmente aprendem parlendas, então esse repertório familiar vira uma ferramenta poderosa para explorar como as palavras funcionam. Na primeira aula, os alunos vão cantar, recitar e bater palmas marcando as sílabas. Vão perceber que as palavras têm partes, que algumas rimam, que certos sons se repetem. Tudo isso acontece em roda, de forma coletiva e divertida, com jogos que envolvem movimento e escuta ativa. Na segunda aula, a turma transforma o que aprendeu em algo concreto: um livro coletivo de parlendas. Cada criança ilustra uma parlenda e escreve palavras-chave com apoio do professor. O livro fica na sala e pode ser lido e relido pela turma. Essa sequência respeita o ritmo dos alunos de 6 e 7 anos, que aprendem melhor quando o corpo está envolvido e quando o resultado tem significado real. Bater palmas nas sílabas, ouvir rimas, comparar sons e ver as palavras escritas são experiências que se complementam. O aluno começa a entender que o que ele fala pode ser representado por letras, e que as palavras têm uma estrutura sonora que pode ser explorada. As habilidades da BNCC trabalhadas são EF01LP06 (segmentação oral de palavras em sílabas), EF01LP05 (reconhecimento do sistema alfabético como representação dos sons da fala) e EF01LP13 (comparação de palavras por sons semelhantes em sílabas mediais e finais). Nenhum recurso digital é necessário. Tudo acontece com o corpo, a voz, papel, lápis de cor e cartazes.

Objetivos de Aprendizagem

O foco dessa atividade é fazer com que os alunos percebam, de forma concreta, que as palavras são feitas de partes menores — as sílabas — e que essas partes têm sons que podem ser comparados, identificados e até escritos. Quando a criança bate palmas em 'ca-ne-la' e depois em 'ja-ne-la', ela começa a notar que as duas terminam igual. Esse é o tipo de percepção que abre caminho para a alfabetização. A escrita das palavras-chave na segunda aula reforça que a fala tem uma representação gráfica, conectando oralidade e escrita de modo natural.

  • Segmentar oralmente palavras das parlendas em sílabas, usando palmas ou outros gestos como apoio.
  • Identificar rimas e sons semelhantes entre palavras presentes nas parlendas trabalhadas.
  • Reconhecer que a escrita representa os sons da fala ao escrever palavras-chave das parlendas com apoio do professor.
  • Participar ativamente de atividades em grupo, respeitando a vez dos colegas e colaborando na construção do livro coletivo.
  • Relacionar imagens às palavras escritas no livro de parlendas produzido pela turma.

Habilidades Específicas BNCC

Conteúdo Programático

O conteúdo dessa atividade gira em torno das parlendas como gênero textual oral da cultura popular brasileira. Mais do que decorar textos, os alunos vão usar essas parlendas para investigar como as palavras são formadas e como os sons se organizam. A passagem da fala para a escrita aparece de forma gradual: primeiro o aluno ouve, repete e brinca com os sons; depois registra palavras no papel. Esse caminho respeita a lógica de aprendizagem da faixa etária.

  • Parlendas tradicionais da cultura popular brasileira como gênero textual oral.
  • Sílaba como unidade sonora das palavras — segmentação oral e percepção auditiva.
  • Rima e aliteração: identificação de sons semelhantes no final e no início de palavras.
  • Relação entre fala e escrita: palavras faladas têm representação gráfica.
  • Escrita de palavras-chave com apoio do professor (escrita compartilhada).
  • Produção coletiva: montagem de livro ilustrado de parlendas.

Metodologia

Na primeira aula, a metodologia é a Aprendizagem Baseada em Jogos. Os alunos aprendem brincando: jogos de roda, desafios de palmas, competições de rima. O corpo está em movimento, a voz está ativa e a atenção é mantida pelo formato lúdico. Na segunda aula, a proposta mão-na-massa coloca cada criança como autora de uma página do livro coletivo. Essa escolha não é aleatória — quando o aluno ilustra e escreve, ele toma decisões sobre o próprio aprendizado e sente que o resultado pertence a ele.

  • Aula 1 — Aprendizagem Baseada em Jogos: jogos de roda com parlendas, desafio de bater palmas nas sílabas e identificação de rimas em duplas ou pequenos grupos.
  • Aula 2 — Atividade Mão-na-massa: cada aluno ilustra uma parlenda escolhida e escreve palavras-chave com apoio do professor, contribuindo para o livro coletivo da turma.
  • Escrita compartilhada: o professor escreve no quadro enquanto os alunos ditam palavras, mostrando a correspondência entre som e letra.
  • Roda de conversa ao final de cada aula para os alunos compartilharem o que perceberam sobre os sons das palavras.
  • Protagonismo do aluno: cada criança escolhe qual parlenda vai ilustrar na segunda aula, tendo autonomia sobre sua página no livro.

Aulas e Sequências Didáticas

As duas aulas têm ritmos diferentes de forma intencional. A primeira é mais agitada e coletiva, com muito movimento e voz. A segunda é mais concentrada e individual, mas ainda colaborativa, já que o produto final é um livro da turma inteira. Essa variação ajuda a manter o engajamento ao longo das duas aulas e respeita o fato de que crianças de 6 e 7 anos precisam de alternância entre atividades mais dinâmicas e momentos de produção mais calma.

  • Aula 1 (60 min): Apresentação de parlendas tradicionais em roda; jogos de segmentação silábica com palmas; identificação de rimas e sons semelhantes entre palavras; desafio em duplas para encontrar palavras que rimam nas parlendas.
  • Momento 1: Roda de Apresentação das Parlendas (Estimativa: 12 minutos)
    Organize os alunos em roda no chão da sala ou em um espaço amplo. Apresente os cartazes com as parlendas escritas em letras grandes e coloridas, fixando-os em um lugar visível para todos. Comece recitando uma parlenda conhecida, como 'Cai, cai, balão', com entonação expressiva e ritmo marcado. Convide os alunos a repetirem junto com você, linha por linha, como um eco. É importante que você use gestos e expressões faciais para tornar a recitação mais envolvente e acessível para crianças de 6 e 7 anos. Após a primeira parlenda, apresente mais duas, como 'Uni duni tê' e 'Hoje é domingo', seguindo o mesmo processo de repetição coletiva. Permita que os alunos que já conhecem as parlendas liderem a recitação por um momento, valorizando o repertório cultural que trazem de casa. Observe se os alunos acompanham o ritmo e a melodia das parlendas, pois isso indica percepção auditiva e familiaridade com o gênero oral.

    Momento 2: Jogo de Palmas — Segmentando as Sílabas (Estimativa: 15 minutos)
    Mantenha os alunos em roda e explique que agora vão descobrir as 'partes' das palavras usando as palmas das mãos. Demonstre com uma palavra simples: diga 'ba-lão' batendo uma palma para cada sílaba e peça que todos repitam. Em seguida, retire palavras diretamente das parlendas trabalhadas, como 'ca-i', 'ba-lão', 'u-ni', 'do-min-go', e conduza o jogo coletivamente. Varie o ritmo: ora mais devagar, ora mais rápido, para manter o engajamento. Após a prática coletiva, proponha um desafio: você fala uma palavra da parlenda e os alunos batem palmas sem que você mostre. Comece com palavras de duas sílabas e, se a turma responder bem, avance para três sílabas. É importante que você circule pela roda observando quem acompanha com facilidade e quem ainda hesita, pois isso orienta suas intervenções futuras. Faça perguntas como 'Quantas palmas demos em ba-lão?' para estimular a contagem e a reflexão. Observe se os alunos conseguem segmentar palavras de duas a três sílabas com apoio — esse é um indicador direto da habilidade EF01LP06.

    Momento 3: Descobrindo as Rimas (Estimativa: 15 minutos)
    Ainda em roda, retome os cartazes das parlendas e chame a atenção dos alunos para os sons finais das palavras. Recite 'Cai, cai, balão' e pergunte: 'Alguém percebeu que algumas palavras terminam com o mesmo som?' Espere as respostas e valorize todas as contribuições. Escreva no quadro branco dois pares de palavras que rimam retiradas das parlendas, como 'balão / coração' ou 'tê / café', e leia em voz alta, exagerando levemente o som final para que as crianças percebam a semelhança. Proponha um jogo de escuta: você fala duas palavras e os alunos levantam o polegar se rimarem ou cruzam os braços se não rimarem. Use exemplos das parlendas e também alguns que não rimam para testar a percepção. Permita que os alunos sugiram outras palavras que rimem com as que estão no cartaz, mesmo que inventadas, pois isso demonstra compreensão do padrão sonoro. É importante que você elogie as tentativas criativas, mostrando que perceber o som é o que importa nesse momento. Observe se os alunos reconhecem pelo menos um par de palavras que rimam — esse é um indicador da habilidade EF01LP13.

    Momento 4: Desafio em Duplas — Caçadores de Rimas (Estimativa: 13 minutos)
    Organize os alunos em duplas, preferencialmente misturando alunos com diferentes níveis de familiaridade com as parlendas. Entregue a cada dupla um cartaz pequeno ou uma folha com uma parlenda impressa ou escrita pelo professor. Explique que a missão é encontrar duas palavras que rimam dentro da parlenda e circular ou sublinhar com lápis de cor. Circule pela sala observando as duplas, fazendo perguntas mediadoras como 'Que som você ouviu no final dessa palavra?' ou 'Essa palavra termina igual a qual outra aqui?' para estimular o raciocínio sem dar a resposta diretamente. É importante que você valorize o processo de escuta e comparação, não apenas o resultado correto. Ao final, reúna a turma novamente em roda e peça que cada dupla compartilhe o par de rimas que encontrou. Registre no quadro as palavras citadas pelos alunos, lendo em voz alta cada par. Esse momento de socialização reforça a percepção auditiva e permite que alunos que tiveram dificuldade aprendam com os colegas.

    Momento 5: Roda de Conversa Final — O que Descobrimos Hoje? (Estimativa: 5 minutos)
    Reúna todos em roda novamente e conduza uma conversa breve e descontraída sobre o que foi vivenciado na aula. Faça perguntas simples como 'Qual palavra tem mais sílabas, balão ou uni?' ou 'Quais palavras rimam com tê?' para retomar os conceitos trabalhados de forma leve. Permita que os alunos falem livremente, respeitando a vez de cada um. É importante que você escute com atenção as respostas, pois elas revelam quem compreendeu os conceitos e quem ainda precisa de mais apoio. Encerre a aula reforçando positivamente a participação de todos e anunciando que na próxima aula vão transformar tudo o que aprenderam em um livro especial da turma. Esse encerramento cria expectativa e dá significado ao que foi aprendido.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as estratégias a seguir têm caráter preventivo e universal, garantindo que todos os alunos participem com conforto e confiança. Primeiramente, respeite os diferentes ritmos de aprendizagem: durante o jogo de palmas, alguns alunos precisarão de mais tempo para processar e responder — evite pressionar e valorize cada tentativa. Para alunos mais tímidos ou com dificuldade de participação oral, ofereça a opção de bater palmas ou fazer gestos em vez de falar em voz alta, garantindo que a participação aconteça de formas variadas. Ao formar as duplas no Momento 4, evite deixar os alunos escolherem livremente para não criar situações de exclusão — forme as duplas você mesmo, de forma estratégica e acolhedora. Caso perceba algum aluno com dificuldade auditiva ou de atenção, posicione-o mais próximo de você durante a roda e mantenha contato visual ao recitar as parlendas. Use sempre os cartazes visuais como apoio, pois a combinação de estímulo auditivo e visual beneficia todos os perfis de aprendizagem. Lembre-se: pequenas adaptações feitas com sensibilidade fazem uma grande diferença para que cada criança se sinta parte da turma e capaz de aprender.

  • Aula 2 (60 min): Retomada das parlendas da aula anterior; cada aluno escolhe uma parlenda para ilustrar; escrita compartilhada das palavras-chave com apoio do professor; montagem e exposição do livro coletivo na sala.
  • Momento 1: Retomada das Parlendas — Relembrando com Alegria (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula reunindo os alunos em roda no chão da sala, assim como foi feito na aula anterior. Recoloque os cartazes com as parlendas em um lugar visível para todos e comece recitando uma delas com ritmo e entonação expressiva, convidando os alunos a acompanharem. Permita que os alunos que se lembram das parlendas liderem a recitação por alguns momentos, valorizando o que foi aprendido anteriormente. Após recitar as parlendas coletivamente, proponha uma revisão rápida e lúdica: bata palmas em algumas palavras e pergunte 'Quantas partes tem essa palavra?' ou 'Qual palavra rima com essa?'. Mantenha esse momento leve e animado, pois o objetivo é reativar o repertório construído na aula anterior e criar um clima de entusiasmo para as atividades que virão. É importante que você observe quais alunos participam com mais confiança e quais ainda demonstram hesitação, pois isso orientará suas intervenções durante a escrita compartilhada. Encerre esse momento anunciando com empolgação que hoje a turma vai criar um livro especial com as parlendas que aprenderam.

    Momento 2: Escolha da Parlenda — Protagonismo de Cada Criança (Estimativa: 8 minutos)
    Mantenha os cartazes visíveis e explique aos alunos que cada um vai escolher uma parlenda favorita para ilustrar e que todas as páginas juntas vão formar o livro da turma. Percorra os cartazes lendo cada parlenda em voz alta mais uma vez, para que os alunos relembrem todas as opções antes de decidir. Em seguida, permita que cada criança indique sua escolha levantando a mão ou se aproximando do cartaz correspondente. Anote em uma lista rápida quem escolheu qual parlenda, pois isso facilitará sua organização durante a escrita compartilhada. É importante que você garanta que todas as parlendas sejam escolhidas por pelo menos um aluno — caso alguma fique sem escolha, sugira gentilmente para um aluno que ainda está indeciso. Evite que muitos alunos escolham a mesma parlenda, distribuindo as escolhas de forma equilibrada para que o livro final seja variado e rico. Observe se os alunos demonstram preferência genuína, pois o envolvimento afetivo com a parlenda escolhida tende a resultar em ilustrações mais expressivas e engajadas.

    Momento 3: Escrita Compartilhada — As Palavras Ganham Forma (Estimativa: 15 minutos)
    Reúna os alunos em semicírculo de frente para o quadro branco. Explique que agora vão descobrir juntos como escrever as palavras mais importantes de cada parlenda. Comece com uma parlenda conhecida por todos, como 'Cai, cai, balão', e pergunte: 'Qual é a palavra mais importante dessa parlenda?' Espere as respostas e escolha uma palavra sugerida pelos alunos, como 'balão'. Diga a palavra em voz alta, segmentando as sílabas com palmas — 'ba-lão' — e pergunte: 'Que letra vocês acham que começa essa palavra?' Escreva no quadro letra por letra, verbalizando cada som enquanto escreve, para que os alunos percebam a correspondência entre o que falam e o que está sendo registrado. Repita esse processo com duas ou três palavras de parlendas diferentes, sempre partindo das sugestões dos alunos. É importante que você valorize todas as tentativas, mesmo as que apresentem erros, dizendo por exemplo: 'Que boa ideia! Você ouviu esse som muito bem!' Esse momento é central para trabalhar a habilidade EF01LP05, pois os alunos começam a perceber que a escrita representa os sons da fala. Observe se os alunos conseguem identificar a letra inicial das palavras e se tentam relacionar sons a letras conhecidas — esses são indicadores valiosos de aprendizagem.

    Momento 4: Produção Individual — Ilustrando e Escrevendo a Minha Página (Estimativa: 20 minutos)
    Distribua uma folha A4 para cada aluno e os materiais de ilustração — lápis de cor, giz de cera ou canetinhas. Oriente os alunos a dobrarem a folha ao meio: na parte de cima, vão fazer o desenho da parlenda escolhida, e na parte de baixo, vão escrever o nome da parlenda ou uma palavra-chave com apoio do professor. Enquanto os alunos ilustram, circule pela sala observando os desenhos e fazendo perguntas como 'O que você está desenhando aqui?' ou 'Me conta o que acontece nessa parlenda' para estimular a narrativa oral e verificar a compreensão. Quando o desenho estiver avançado, sente-se ao lado de cada aluno por alguns momentos para apoiar a escrita da palavra-chave: pergunte qual palavra ele quer escrever, segmentem juntos em sílabas com palmas e incentive o aluno a tentar registrar as letras que conhece. Respeite as escritas não convencionais — se o aluno escrever 'BLAO' para 'balão', reconheça o esforço e a percepção fonética demonstrada. É importante que você não corrija de forma diretiva nesse momento, mas sim dialogue sobre os sons percebidos. Permita que alunos que terminam mais rápido acrescentem detalhes ao desenho ou tentem escrever mais palavras da parlenda. Observe se a ilustração tem relação com a parlenda escolhida e se a tentativa de escrita apresenta alguma correspondência som-letra — esses são os critérios avaliativos centrais dessa atividade.

    Momento 5: Montagem e Exposição do Livro Coletivo (Estimativa: 5 minutos)
    Recolha as páginas produzidas pelos alunos e reúna a turma em roda. Mostre cada página rapidamente, lendo o nome da parlenda ou a palavra escrita pelo aluno e elogiando o trabalho de cada criança pelo nome. Em seguida, monte o livro na frente dos alunos, utilizando barbante ou grampeador para encadernar as páginas, para que todos vejam o resultado coletivo sendo construído. Fixe o livro em um lugar acessível da sala — uma prateleira baixa, um varal de barbante ou a mesa do professor — e explique que ele ficará disponível para ser lido e relido pela turma. É importante que você destaque que cada página foi feita por um aluno diferente e que o livro só existe porque todos contribuíram, reforçando o sentido de coletividade e pertencimento. Permita que alguns alunos folheiem o livro brevemente antes de encerrarem a aula.

    Momento 6: Roda de Conversa Final — O que Aprendemos com as Parlendas? (Estimativa: 2 minutos)
    Encerre a aula com uma roda de conversa breve e descontraída. Faça perguntas simples como 'O que você escreveu na sua página?' ou 'Qual parlenda você mais gostou e por quê?' para estimular a reflexão oral e valorizar o percurso de aprendizagem. Permita que dois ou três alunos respondam, respeitando o tempo disponível. Encerre reforçando positivamente a participação de todos e destacando que agora a turma tem um livro próprio, feito com as vozes, os desenhos e as letras de cada um. Esse encerramento dá significado real ao que foi produzido e consolida a compreensão de que a escrita representa a fala.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as estratégias a seguir têm caráter universal e preventivo, garantindo que todas as crianças participem com conforto, confiança e autonomia. Durante o Momento 2, ao permitir que os alunos escolham a parlenda, esteja atento a crianças mais tímidas ou indecisos — aproxime-se com gentileza e ofereça duas opções concretas para facilitar a escolha, sem pressionar. No Momento 3, durante a escrita compartilhada, varie as formas de participação: alguns alunos podem falar a letra em voz alta, outros podem apontar no cartaz ou bater palmas nas sílabas, garantindo que crianças com diferentes perfis de participação oral se sintam incluídas. No Momento 4, respeite os diferentes ritmos de produção — enquanto alguns alunos terminam rapidamente, outros precisarão de mais tempo para o desenho ou para a escrita. Evite comparações e valorize cada etapa do processo individualmente. Para alunos que demonstrem dificuldade em segurar o lápis ou em organizar o espaço da folha, ofereça uma folha com uma linha tracejada separando o espaço do desenho do espaço da escrita, o que ajuda na organização visual sem exigir recursos extras. Ao circular pela sala durante a produção individual, priorize sentar ao lado de alunos que demonstram mais insegurança, oferecendo apoio próximo e encorajador. Lembre-se: pequenas adaptações feitas com sensibilidade e atenção fazem uma grande diferença para que cada criança se sinta capaz, pertencente e orgulhosa do que produziu.

Avaliação

A avaliação dessa atividade é principalmente formativa, ou seja, acontece durante as aulas, enquanto o professor observa e interage com os alunos. Não faz sentido aplicar uma prova escrita para crianças de 6 anos nesse contexto. O que importa é perceber se o aluno está conseguindo segmentar palavras, identificar rimas e entender que a escrita representa sons. Duas ou três formas de acompanhar isso são suficientes e viáveis dentro do tempo disponível.

  • Observação durante os jogos (Aula 1): O professor observa se o aluno consegue bater palmas corretamente nas sílabas das palavras das parlendas e se identifica rimas quando provocado. Critérios: segmenta palavras de 2 a 3 sílabas com apoio; reconhece pelo menos um par de palavras que rimam. Exemplo prático: durante o jogo de palmas com 'cai-cai-ba-lão', o professor nota quem acompanha o ritmo silábico e quem ainda tem dificuldade.
  • Análise da página do livro coletivo (Aula 2): O professor verifica se a ilustração corresponde à parlenda escolhida e se as palavras-chave escritas têm relação com os sons trabalhados. Critérios: a escrita apresenta tentativa de correspondência som-letra; o aluno consegue ler (ou recontar) o que escreveu. Exemplo prático: o aluno escreve 'BLAO' para 'balão' — isso já mostra percepção fonética e merece reconhecimento.
  • Roda de conversa ao final de cada aula: O professor faz perguntas simples como 'Qual palavra tem mais sílabas?' ou 'Quais palavras rimam aqui?'. Critérios: participação oral; capacidade de justificar a resposta com alguma evidência sonora. Essa estratégia também permite identificar alunos que entendem o conceito mas têm dificuldade de registrar por escrito.

Materiais e ferramentas:

Todos os recursos dessa atividade são de baixo custo e fáceis de preparar. A escolha foi intencional: sem tecnologia, o foco fica na voz, no corpo e no papel. O cartaz com as parlendas escritas em letras grandes é o principal apoio visual — ele fica à vista durante toda a aula e serve como referência para os alunos que já estão reconhecendo letras. Os materiais de produção da segunda aula são simples, mas o resultado — o livro coletivo — tem valor simbólico grande para a turma.

  • Cartazes com parlendas escritas em letras grandes e coloridas (preparados pelo professor antes da aula).
  • Folhas A4 ou sulfite para a produção das páginas do livro coletivo.
  • Lápis de cor, giz de cera ou canetinhas para ilustração.
  • Lápis grafite ou caneta para escrita das palavras-chave.
  • Barbante ou grampeador para encadernar o livro coletivo ao final.
  • Quadro branco e pincel/giz para a escrita compartilhada durante a Aula 2.
  • Lista de parlendas tradicionais selecionadas pelo professor (ex: 'Cai, cai, balão', 'Uni duni tê', 'Hoje é domingo').

Inclusão e acessibilidade

Toda turma tem sua diversidade, mesmo quando não há diagnósticos formais. Alguns alunos vão chegar na aula com mais repertório de parlendas em casa; outros nunca ouviram. Alguns vão bater palmas no ritmo certo logo de cara; outros vão precisar de mais tentativas. Isso é completamente normal e esperado. A estrutura em roda e em grupo já ajuda muito, porque ninguém fica exposto sozinho. Fique de olho em crianças que se isolam nos jogos, que não conseguem acompanhar o ritmo mesmo com apoio, ou que demonstram muita dificuldade em repetir palavras oralmente — esses podem ser sinais para conversar com a coordenação pedagógica. As sugestões abaixo são práticas e não exigem preparo extra significativo.

  • Escolha parlendas com ritmo simples e repetitivo para a primeira aula, facilitando a participação de alunos com menos familiaridade com o gênero.
  • Durante os jogos de palmas, permita que alunos com dificuldade motora marquem as sílabas batendo na mesa ou balançando o corpo — o importante é a percepção rítmica, não o gesto específico.
  • Na Aula 2, ofereça a opção de o aluno ditar a palavra-chave para o professor escrever, caso tenha muita dificuldade com a escrita — o foco é a relação som-escrita, não a caligrafia.
  • Forme grupos mistos nos jogos da Aula 1, colocando alunos com mais facilidade junto de alunos com mais dificuldade, de forma que a ajuda aconteça de forma natural entre pares.
  • Valorize todas as tentativas de escrita na Aula 2, mesmo que não convencionais — escrever 'KZA' para 'casa' mostra percepção fonética e merece reconhecimento verbal do professor.
  • Inclua parlendas de diferentes regiões do Brasil ou de culturas presentes na turma, se houver, para que todas as crianças se vejam representadas no livro coletivo.

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